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O primeiro exame a ser solicitado quando há suspeita de doenças ou comprometimento dos vasos viscerais é aultrassonografia vascular. Embora outros métodos como a angiotomografia computadorizada, aangiorressonância magnética e o próprio estudo angiográfico tenham melhor acurácia para algunsdiagnósticos, a ultrassonografia vascular é um método acessível, de menor custo, que não envolve radiaçãoionizante e em que não há necessidade de uso de contrastes iodados ou paramagnéticos.O estudo dos vasos abdominais teve seu início com os primeiros exames de ultrassonografia em medicinainterna. A rápida evolução dos equipamentos e a qualificação dos examinadores juntamente com a associaçãodo Doppler colorido e o Doppler espectral tornou a ultrassonografia vascular exame de primeira escolha para odiagnóstico de patologias dos vasos abdominais.Durante muito tempo a avaliação dos vasos abdominais, principalmente a venosa, foi considerada de baixasensibilidade, no entanto com o desenvolvimento de novos aparelhos  e experiência adquirida pelos médicostornou-se possível o diagnóstico mais acurado dos segmentos venosos abdominais, tanto nas pesquisas detrombose venosa, como na busca por compressões extrínsecas ou anomalias anátomo-funcionais.É necessário treinamento adequado, com total conhecimento dos princípios do ultrassom e do Doppler, alémdos conhecimentos sobre a anatomia, principais variações anatômicas e das possíveis patologias para arealização do Doppler dos vasos abdominais.Os resultados são melhores quando o paciente está em jejum pela manhã. Recomenda-se, como preparo, aomenos o jejum de 6 a 12 horas antes da realização do exame. Isso geralmente é suficiente para a maioria dosindivíduos. Como alternativa, pode-se recomendar o uso de laxativos e antifiséticos para reforçar o preparo.A varredura dúplex é realizada utilizando transdutor convexo multifrequencial de baixa frequência, geralmenteno intervalo de 2 a 4 MHz.Anatomia arterialA Aorta abdominal tem início no hiato aórtico do diafragma ao nível da vértebra T12 ligeiramente à esquerdada coluna vertebral, com calibre de 15 a 20 mm.A artéria celíaca é o primeiro ramo visceral da aorta abdominal. Surge da face anterior da aorta entre as crurasdiafragmáticas, na altura da última vértebra torácica (T12). Bifurca-se em três ramos, sendo eles: a artériagástrica esquerda, geralmente não visibilizada à ultrassonografia; a artéria esplênica, à esquerda, visibilizadajunto à porção superior do corpo do pâncreas; e a artéria hepática comum, à direita,  que corre acima da cabeçado pâncreas em direção ao hilo hepático.A artéria mesentérica superior, segundo ramo visceral geralmente acessível ao ultrassom, origina-se  ao nívelda vértebra lombar L1 – L2, anteriormente em ângulo agudo de 15º a 30º em relação à aorta, cerca de 0,5 a2cm abaixo do tronco celíaco.A artéria mesentérica inferior origina-se ao nível de L3 cerca de 4 a 5cm acima da bifurcação aórtica. Emborade difícil acesso pela ultrassonografia devido ao seu pequeno diâmetro e à superposição do intestino delgado,assume particular importância, assim como as artérias lombares, nos casos onde é fonte de endoleak tipo II emendopróteses utilizadas para correção de aneurismas da aorta.As artérias renais se localizam geralmente 1 cm abaixo da emergência da artéria mesentérica superior.A emergência da artéria renal direita, ocorre em uma posição anterolateral direita, às 10h. Após um curtotrajeto em direção anterior a artéria se curva para cumprir seu trajeto em direção ao rim direito passandoposteriormente à veia cava inferior.A emergência da artéria renal esquerda, ocorre póstero-lateralmente à esquerda, entre a posição de 3h e 4h e sedirige lateralmente em direção ao hilo renal esquerdo.Anatomia venosaA veia cava inferior está localizada em posição central, levemente para direita e tem seu início naconvergência das veias ilíacas comuns, ao nível da vértebra lombar L4 – L5, um pouco abaixo da bifurcação daaorta abdominal. Apresenta secção transversal elíptica e pode variar no diâmetro ântero-posterior de 5 a 25mm durante o ciclo respiratório.A veia renal direita corre anteriormente à artéria renal homônima e drena na veia cava inferior ao nível de L1.A veia renal esquerda é anterior e superior a artéria renal esquerda e, em seu trajeto em direção à veia cavainferior, passa anteriormente à aorta abdominal e posteriormente à artéria mesentérica superior. A veia gonadalesquerda (espermática ou ovariana) drena para esta veia em ângulo próximo a 90º, diferentemente da veiagonadal direita que drena em ângulo agudo na veia cava inferior. Esta diferença na drenagem das veiasespermáticas pode explicar a maior prevalência de varicocele na hemibolsa testicular esquerda.O sangue venoso somático dos membros inferiores, pelve e parede abdominal, além do fluxo dos rins drenapara a veia cava inferior sem passar pelo fígado. No entanto o fluxo visceral proveniente do baço, pâncreas ede praticamente todo o tubo digestivo, desde a porção mais distal do esôfago até o reto, converge para a veiaporta para passar pelo “filtro” do fígado antes de retornar à circulação somática pela veia cava inferior.A veia porta resulta da confluência da veia esplênica e da veia mesentérica superior. É um tronco quenormalmente mede de 6 a 8cm de comprimento e diâmetro transverso de 8 a 12 mm. . No fígado ela seramifica seguindo um padrão segmentar e, juntamente com a artéria hepática e ductos biliares formam a tríadeportal. Após passar pelos sinusoides e atingirem as veias centrolobulares, o  sangue converge por meio dasveias hepáticas direita, média e esquerda para veia cava inferior.Protocolo de exame e elaboração do laudoO exame se inicia pela identificação da aorta logo abaixo do diafragma e realização de varredura transversalaté a bifurcação  das artérias ilíacas, localizando as origens das artérias viscerais.Inicialmente os vasos (arterial e venoso) devem ser avaliados e documentados em modo B, descrevendo ocalibre (aneurismas), trajeto do vaso, parede (presença de placas ateromatosas, espessamentos, dissecções),compressão extrínsecas e presença de STENT.Pelo mapeamento colorido (Doppler colorido) devemos informar presença ou ausência de fluxo (oclusão),presença de fluxo parcial (estenose e/ou compressão), sentido de fluxo em casos de refluxo e fontes dereechimentos por colaterais e presença de mosaico sugerindo a presença de fístula arteriovenosa.A análise pelo Doppler espectral (pulsado) com a correção do ângulo de insonação, deve-se informar asmedidas de velocidades sistólica e diastólica, morfologia da onda e se estiverem aumentadas descrever o graude estenose nos casos de isquemia, presença de compressão, fasicidade ou não com a respiração e realizarmanobras de inspiração e expiração na investigação da Síndromes de Compressivas, como a síndrome decompressão do ligamento arqueado.Doença oclusiva Artérias viscerais (Tronco Celíaco e Artérias Mesentéricas)As indicações da realização de estudo de vasos viscerais abdominais através de ultrassonografia vascularocorrem geralmente em função de uma suspeita de insuficiência vascular, como no caso da síndrome decompressão da artéria celíaca – Síndrome de Compressão do Ligamento Arqueado Médio do diafragma(MALS), estenose ou oclusão de vasos viscerais e em casos de aneurismas e pseudoaneurismas viscerais.O suprimento vascular do trato gastrintestinal é realizado pelo tronco celíaco, pela artéria mesentérica superiore pela artéria mesentérica inferior. A drenagem venosa é feita pela veia mesentérica superior, que se une à veiaporta. Há uma abundância rede de colaterais que protegem o trato gastrointestinal da isquemia.A isquemia no intestino delgado ou no colo intestinal ocorre devido à redução do fluxo sanguíneo, que podeser oclusiva: por embolia arterial (50%) e a trombose arterial ( 25%) ou não oclusiva: nos estados de baixofluxo (20%). Em menos de 10% dos casos, a causa da isquemia é decorrente de trombose venosa mesentérica.A isquemia mesentérica aguda é uma emergência vascular potencialmente fatal, com mortalidade em 60 a80% dos casos. Ocorre principalmente em mulheres, com mais de 70 anos, associada a doenças cardíacas evasculares.Na isquemia mesentérica aguda, o exame de ultrassonografia é limitado para o diagnóstico devido a dor intensa, distensão abdominal e presença de gases intestinais. A aterosclerose é a principal causa de isquemiamesentérica crônica,  e  maioria dos pacientes são  fumantes  e idosos. Evolui de forma assintomática devido àrede de vasos colaterais. Os sintomas geralmente apresentam-se com dor pós-prandial, perda de peso epresença de um sopro abdominal. Outra causa não aterosclerótica e menos frequente na isquemia mesentéricacrônica é a compressão da artéria celíaca pelo ligamento arqueado médio do diafragma. Ocorre quando oligamento arqueado mediano e a origem da artéria celíaca estão em proximidade anormal causando isquemiana expiração profunda. Os pacientes são muitas vezes mulheres jovens e magras entre 20 e 50 anos, numaproporção de 4:1 com dor epigástrica pós-prandial e perda de peso. Com o paciente em jejum com preparointestinal e decúbito dorsal a arteria celíaca  é facilmente visibilizada no segmento proximal no cortelongitudinal e transversal da aorta,  apresentando-se em forma de Y na projeção da bifurcação dos ramosesplênico e hepático.

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